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Por que regulamentar é tão difícil?

Hoje abrimos espaço para este artigo que saiu no blog da Associação Brasileira de Recursos Humanos. O tema é urgente, além de recorrente aqui neste blog.

Terceirização precisa ser regulamentada

No último dia 14 de setembro, o Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho (IBRET) promoveu o Seminário sobre Terceirização do Trabalho, que aconteceu na Faculdade de Economia e Administração da USP. O encontro contou com a participação de representantes sindicais e empresariais; e propôs uma regulamentação da atividade no país, algo que já existe na Europa, Japão e até Estados Unidos.

Segundo o Coordenador de Desenvolvimento e Estudos do DIEESE, Ademir Figueiredo, é preciso regulamentar essa atividade e fazê-lo de modo a impedir que o prejuízo maior fique com os empregados, pois muitas empresas de terceirização são agências de emprego disfarçadas e, quando cobradas, simplesmente desaparecem. Veja no vídeo abaixo a entrevista com Figueiredo:

José Pastore, professor de Relações do Trabalho da Universidade de São Paulo, afirma que a discussão sobre se as empresas podem terceirizar apenas atividades meios se tornou falsa, pois com as novas tecnologias ficou difícil dizer o que é meio ou fim em um processo de produção. “Penso que as empresas poderiam ter liberdade para terceirizar o que entendessem ser necessário, mas, em contrapartida, dando total garantia de direitos aos empregados terceirizados”. Abaixo você confere o depoimento na íntegra de Pastore.

Para Carlos Pessoa, vice-presidente de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH-Nacional, um dos grandes problemas da terceirização nas empresas hoje se deve pelo fato dela estar nas mãos de áreas como a jurídica e de suprimentos. “A área de Recursos Humanos ficou marginalizada nesse processo. Nós temos que considerar que o terceiro é uma pessoa e que a contratação deste serviço deveria ser cuidada pela área de RH, que também deveria realizar uma auditoria na empresa contratante para saber se as obrigações trabalhistas estão sendo cumpridas.” Veja abaixo o primeiro trecho da entrevista com Pessoa:

Neste vídeo, Carlos Pessoa afirma que muitos processos de terceirização colocam empregados dentro de empresas em situações muito desiguais, com salários muito menores e praticamente sem benefícios, o que amplia os ganhos das empresas, mas eleva consideravelmente os riscos de demandas trabalhistas, que cresceram muito nos últimos anos. Assista o segundo trecho da entrevista com o vice-presidente de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH-Nacional:

De acordo com o presidente do IBRET, Hélio Zylberstajn, a terceirização no Brasil é muito praticada, mas pouco compreendida, daí a importância de um amplo debate que evidencie as mudanças e regulamentações necessárias:

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Diferenças Culturais, como lidar com elas?

Entender as diferenças culturais é a chave para o sucesso na comunicação.

Entender as diferenças culturais é a chave para o sucesso na comunicação.

“Existem certos padrões de negociação que podem ser considerados permanentes e universais. A par desses, entretanto, há notáveis diferenças causadas por caráter nacional, tradição e rituais.”

Quem cravou a frase acima foi Harold Nicholseon, político inglês, em seu livro “Diplomacia”, de 1939 e até hoje temos que concordar com ela. Destarte todos as quebras de barreiras, advindas do mundo tecnológico e globalizado, as diferenças culturais ainda perduram. Isto fica ainda mais claro quando se trata de uma negociação.

Como disse Nicholseon, há uma parte comum e outra que difere de acordo com a nacionalidade. A parte comum é o desejo de fechar um bom negócio e ser respeitado durante este processo. A última parte, a que difere, é a lente cultural que cada um de nós carregamos. Fatos históricos, posição geográfica, idioma, religião e regime político são alguns dos muitos fatores que influenciam a carga cultural. Compreender a parte comum de uma negociação e usar a parte cultural a seu favor é fundamental para o sucesso em uma negociação internacional.

Além das negociações, vivenciamos hoje um mundo onde as equipes estão espalhadas pelo mundo todo. Executivo de vendas nos EUA, cliente na Holanda, PMO no Brasil, departamento de finanças no México, IT na India e por ai vai. Se antes os profissionais atuavam apenas nos países em que estivessem alocados, hoje sua presença é global.

Conhecer as diferenças na forma de se relacionar com o outro, com o mundo ao redor, como pensa e resolve os problemas, é essencial para o sucesso nas relações internacionais. É necessário que se obtenha o rapport. Esta palavra de origem francesa significa “relação”.

Em um ambiente de negociações ou relações internacionais rapport é criar uma relação de confiança e harmonia na qual o cliente fica mais aberto a trocar informações. Ou como definido no dicionário  The American Heritage:

“Relação, especialmente única de confiança mútua ou afinidade emocional”.

Podemos ainda usar a definição precisa de Anthony Robbins:

“Capacidade de entrar no mundo de alguém, fazê-lo sentirque você o entende e que vocês têm um forte laço emcomum. É a capacidade de ir totalmente do seu mapa do mundo para o mapa do mundo dele. É a essência da comunicação bem-sucedida.”

Para que isso ocorra é necessário que o agente interlocutor use de programação neuro-lingüistica (PNL) para conquistar a confiança da outra parte. A programação neuro-lingüística, conforme proposta em 1973 por Richard Bandler e John Grinder, é um conjunto de técnicas, axiomas e crenças que seus praticantes utilizam visando principalmente ao desenvolvimento pessoal. É baseada na idéia de que a mente, o corpo e a linguagem interagem para criar a percepção que cada indivíduo tem do mundo, e tal percepção pode ser alterada pela aplicação de uma variedade de técnicas. A fonte que embasa tais técnicas, chamada de “modelagem”, envolve a reprodução cuidadosa dos comportamentos e crenças daqueles que se quer cativar, adotando os mesmos jargões que a pessoa usa, usando a mesma tonalidade e tempo de voz, além do espelhamento corporal.

A parte mais importante para um rapport bem sucedido é prestar atenção naquele que se quer conquistar. Somente com muita atenção é possível imitar e espelhar. Segundo estudos feitos por psicólogos em 1967, em uma apresentação 55% do efeito na audiência vem da linguagem corporal (gestos, movimentos dos olhos, postura), 38% se deve ao tom de voz e o conteúdo tratado é responsável por somente 7%.

Por fim podemos concluir que devemos buscar entender ao máximo as diferenças culturais dos agentes de negócio. Somente dessa maneira é possível usar essa diferença a seu favor. Devemos lembrar sempre que, o diferente não é melhor ou pior, apenas diferente.

[Webcast] Estratégias para área de compras

A Purchasing Magazine, em parceria com a Ariba, fará no próximo dia 23 de setembro o webcast “5 Strategies to Dramatically Accelerate Procurement Performance in 2010”. O evento será as 15:00, horário de São Paulo.

O webcast contará com Paul Teague, editor chefe da Purchasing Magazine como moderador e terá os seguintes convidados: Jason Busch (Managing Director da Azul Partners e diretor executivo da Spend Matters), Hari Candadai (diretor da Ariba) e Lara Nichols (diretora senior de IT Sourcing and Asset Strategies da Tyco International).

A participação no evento é gratuita, sendo necessário somente registrar-se com antecedência para o evento.

Join Purchasing Magazine’s Editor-in-Chief Paul Teague on September 23, 2009 from 2-3 pm US-EDT for an interactive WEBCAST and panel discussion focusing on the five most important procurement strategies for 2010. The discussion will focus on:

•Intelligence: How top-performing procurement groups analyze, leverage—and act on—vast quantities of internal, market, and supplier information.

•Automation: State-of-the-art tools environments for procurement—what they deliver in terms of savings and compliance—and why they’re entirely different from what anyone expected.

•Performance: The new procurement-success metrics.

•Risk: How the best procurement groups create comprehensive strategies for managing the big supply risks that accompany such tactics as supply-base optimization, low-cost country sourcing, and outsourcing.

•Collaboration: The crucial necessity of expanding procurement’s focus far beyond its four walls; the techniques and tools to ensure success.

via Event Registration (EVENT: 162587).

Inovação no Brasil, um desafio para todos

Inovar no Brasil pode parecer difícil, porém é uma questão de liderança e cultura.

Inovar no Brasil pode parecer difícil, porém é uma questão de liderança e cultura.

Como já postei aqui outras vezes, estamos em frente a um novo desafio para as empresas, a busca pela inovação. No Brasil este desafio é maior ainda. Segundo a última pesquisa GEM – Global Entrepreneurship Monitor, divulgada em março deste ano pelo Sebrae, apenas 0,6% das micros e pequenas empresas são inovadoras. O Brasil aparece como um dos últimos colocados no ranking de 43 países.

O resultado pode ter parte de sua culpa na forma que as relações sociais se estabelecem em nosso país. Quem diz isso é Paulo Benetti, consultor da empresa Inteligência Nacional. Segundo Benetti o fato de as relações sociais no Brasil serem autocráticas, significa que espera-se que ideias e respostas venham apenas dos líderes, de cima para baixo, inibindo a criatividade dos liderados.

“A criatividade está em todos nós, mas precisa ser estimulada. É importante que as empresas percebam que a inovação, a criatividade, dependem não apenas das pessoas, mas também de um ambiente que as estimule, de processos que as viabilize e da sua materialização em um resultado, um produto, uma ação” – Paulo Benetti

Isso se deve ao fato da maioria esmagadora das empresas se estruturar de maneira hierarquizada, vertical. Em organizações assim as pessoas costumam comportar-se de acordo com as normas estabelecidas, evitando situações de conflito. Já em organizações matriciais ou projetizadas, horizontais, o ambiente de trabalho acaba por favorecer a inovação.

Além disso na maior parte das vezes, as inovações acabam surgindo através dos colaboradores da empresa e dos clientes. Fato este que corrobora com a idéia da Inovação Colaborativa.

“Há setores em que 90% das melhores ideias vêm de clientes, o que revela a importância de programas que deem aos clientes oportunidades de se expressar e interagir com você.” – Benetti

Como se pode notar, Inovação é questão de liderança e cultura. É necessário que as empresas proporcionem um ambiente favorável a fim de que a inovação surja naturalmente. Ultimamente muitos esforços vem sendo empreendidos na área de inovação. A idéia é ampliar o número de empresas inovadoras para que o Brasil possa ganhar mais competitividade no mercado.

“Com incentivo, as micro e pequenas empresas inovadoras podem saltar das atuais 50 mil para 80 mil em dois anos” – Luiz Carlos Barboza, diretor-técnico do Sebrae Nacional.

E na sua empresa, inovação é apenas um termo em voga ou é uma realidade?

Caso queira conhecer as 8 lições chaves para a Inovação Colaborativa, veja este outro post.

Fontes:
dci.com.br
infomoney.com.br
GEM 2008 Global Report

Pfizer é multada em U$ 2,3 bilhões

Pfizer é multa em 2,3 bilhões de dolares por infringir as leis de mercado.

Pfizer é multada em 2,3 bilhões de dolares por infringir as leis de mercado.

Semana passada a Pfizer foi multada em U$ 2,3 bilhões por infringir as leis de mercado. Práticas abusivas, “propinas”, favores, todos os artifícios eram usados para turbinar as vendas da empresa. Partidas de golf, massagens, hospedagens em resorts e até mesmo prêmios em dinheiro eram dados para os médicos que receitavam medicamentos da Pfizer. Segundo a rede americana ABC News, o principal delator da Pfizer disse o seguinte em seu depoimento:

“Na Pfizer, eu tinha que aumentar o lucro a qualquer custo, ainda que vender significasse colocar vidas em risco. Eu não podia fazer isto.” – John Kopchinski, Representante de Vendas da Pfizer.

A Pfizer vendia qualidades que seus produtos não tinham e pediam que médicos os receitassem ainda que não tivessem relação com os sintomas apresentados. A droga mais favorecida por esta prática foi o analgésico Bextra, mas o mesmo modus operani foi usado em favor de outros medicamentos da compania como Viagra, Zoloft e Lipitor.

Esta não foi a primeira vez em que a Pfizer foi pega em uma conduta reprovável. Na verdade eles são reincidentes convictos, esta é 4 vez em que enfrentam acusações deste tipo perante o governo americano. A multa aplicada equivale a 4,8% do lucro total da Pfzer no ano passado, U$ 48 bilhões.

“Há uma mentalidade no setor farmacêutico que estes favores (presentes e pagamentos) são custos do negócio e que podem trapacear.”  – Bill Vaughn, analista da Consumers Union.

Cabe destacar no caso que a multa só foi possível graças a uma espécie de delação premiada. O representante de vendas que denunciou o caso, John Kopchinski, teve um bom incentivo para enfrentar a gigante farmacêutica.

John, que também é veterano da guerra do Golfo, levou para casa U$ 51,1 milhões. Outros denunciantes também ganharam parte do valor da multa como agradecimento pela sua contribuição.

Este é mais um caso que demonstra a falta de integridade e os conflitos da ética em grandes companias. Isto tudo incentivado por uma cultura de bônus e metas exageradas, que obrigam as pessoas a forçarem as vendas.

Lições da Crise

Com a chegada do primeiro ano de aniversário do colapso do Lehman Brothers os economistas estão ouvindo sobre as lições aprendidas. Entre eles está Richard Berner do Margan Stanley.

Ele destacou cinco pontos em uma apresentação feita no último mês em evento do Banco Central da Argentina. Aqui estão elas:

1. “A strong and well-regulated financial system should be the first line of defense against financial shocks …. [T]he more free-market oriented we want our economies to be, the more we need official supervision and oversight of our financial institutions and markets. That’s because truly free-market economies involve a high risk of business failure, and corresponding high risks to the financial institutions and investors that lend to and invest in those businesses. A key lesson from this crisis is that competition among lenders breeds innovation, but also instability.”

2. “Aggressive and persistent policy responses are the second line of defense … [F]rom past crises like Japan’s lost decade, we learned that the persistence of policy support is also critical to facilitate balance-sheet cleanup, offset the drag on the economy, and prevent deflation … For market participants, understanding just how persistent policy support will be is important; they want central bankers to make a clear distinction between the end of easing, which is now underway, and exit strategies or the beginning of tightening, which lie ahead.”

3. “Macroprudential supervision and asset prices should both play bigger roles in monetary policy …. There is broad agreement that a global focus on systemic risk is needed. There is less agreement on exactly how to define and implement it. ”

4. “Flexible exchange rates enhance the ability of monetary policy to respond to shocks.”

5. “Global imbalances contributed to the crisis by allowing internal imbalances to grow. … [R]ecession is helping to rebalance the US and global economies and markets. The question now: Will this rebalancing process be benign and sustainable for economies and markets, or will it be disruptive? I worry about the latter because current US policies are expanding rather than reducing imbalances, and officials elsewhere are limiting exchange-rate adjustment.”

via Five Lessons From the Financial Crisis – Real Time Economics – WSJ.

Para quem quiser a apresentação completa, basta clicar aqui.