Posts Tagged ‘SCRUM’

Como contratar projetos com metodologia SCRUM

Este blog abre espaço hoje para reproduzir o excelente artigo de Rafael Ramos, do blog Conhecimento e TI: “SCRUM: Qual a melhor forma de contratar?“. O uso desta metodologia cresce rapidamente. Rafael dá dicas para não fazer feio e nem gastar excessivamente com estas contratações.

————————–

SCRUM: Qual a melhor forma de contratar?

Contratos com preço fechado? Valor hora? Escopo aberto? Neste post você terá um overview a respeito dos tipos de contratos que podem ser definidos para times que usam SCRUM. Confira!

Confesso que sempre achei que as metodologias ágeis demandam uma nova cultura na empresa, sobretudo, nas formas de contratação de projetos junto aos seus clientes. Pense comigo, se você tem uma metodologia que diz que seu planejamento será quinzenal, por exemplo, como você pode chutar (digo CHUTAR com muita convicção) que um projeto vá durar 2000 horas? Por mais que você utilize sua experiência acumulada em anos de profissão, isso não passará de uma previsão. PREVISÃO!

Após conferir a apresentação do José Papo com o título “Contratos e SCRUM: The Good, The Bad And The Ugly”, me motivei a escrever esse post pois acredito que o SCRUM nunca será utilizado de fato em uma empresa se os contratos não forem adaptados ou refeitos.

Na apresentação, José Papo aborda três tipos diferentes de contratação: os contratos com escopo variável (a forma boa), os contratos com preço fixo (a má) e a aquisição progressiva e por pontos de função (a “feia”).

Irei me concentrar nesses três tipos, fazendo uma análise sobre cada um:

Contratos com escopo variável

Os contratos com escopo variável, ao meu ver, são os que melhor se encaixam na proposta de trabalho do SCRUM. Obviamente, nenhum cliente estará disposto a gastar milhares de reais com a sua empresa se você não der uma previsão do que ele receberá em troca deste valor. Isso faz parte do processo de troca em uma negociação: eu te darei X, você me dará Y.

O grande problema, senão o maior, reside no fato de que software é algo imprevisível, obscuro e os requisitos, muitas vezes, só são descobertos no decorrer do desenvolvimento. Isso sem contar na indecisão do cliente sobre quais requisitos realmente são necessários.

Sendo assim, um planejamento inicial se faz necessário no que diz respeito à previsão do que será entregue. Porém, o que será entregue e como será entregue será definido junto ao cliente nos Sprints Plannings.

Nem tudo são flores. Este tipo de contratação requer transparência na relação entre fornecedor e prestador de serviços. Essa transparência em muitas das vezes não é vista nessas relações, provavelmente por fracassos em projetos passados. Porém, já que o objetivo é uma mudança cultural, por que não propor uma experiência de dois meses com seu cliente?

P.S.: Este é o tipo de contrato que utilizo atualmente e por isso sou muito seguro quando afirmo que dá certo.

Contratos com preço fixo

Gostaria muito de não ter que comentar a respeito deste tipo de contratação e, infelizmente, a mais utilizada no mercado de TI. Nesse tipo de contratação, prestadores de serviço incluem gorduras no orçamento, justamente prevendo uma eventual (e bem provável) falha no planejamento e levantamento de horas. O cliente, como muitas das vezes só quer um número, fica satisfeito.

O José Papo tem uma frase muito interessante sobre este tipo de contratação:

“Quando o custo, cronograma e escopo são fixos o que variará para baixo? A qualidade!”

Aquisição progressiva e por pontos de função

Nesta modalidade, o cliente compra um “tamanho” de software. Esse tipo de contratação também se casa com o SCRUM, por ser flexível às mudanças .

Conclusão

Posso afirmar que a negociação contratual é uma das etapas mais difíceis na implantação de um processo ágil. No meu caso, por exemplo, as coisas foram muito mais fáceis pois, na nossa equipe, o contrato já era regido no tipo H/H. Porém, o que fazer quando não há alternativas? Tente! Mostre para o cliente vantagens de um novo tipo de contratação. Utilize exemplos reais. Não jogue o risco para o lado do cliente somente. Peça um voto de confiança em troca de parte do risco. Divida os riscos!

Qual é sua experiência com contratos e SCRUM? Conte para a gente!

Rafael Ramos trabalha na área de TI há mais de 8 anos, onde desempenhou os papéis de analista de sistemas, coordenador de fábrica de software e Scrum Master.
Anúncios