Posts Tagged ‘terceirização’

Bons contratos começam com boas RFPs

Acerte no alvo contratando o parceiro certo.

Acerte no alvo contratando o parceiro certo.

De acordo com o conceito de gestão de ciclos de vida do contrato, CLM – Contract Lifecycle Management, todas as fases deste instrumento merecem atenção especial. Na fase pré contratual, iniciada quando surge a necessidade de contratar, um dos focos é eliminar grande parte dos riscos escolhendo o parceiro certo. Neste momento muitas empresas optam por elaborar uma RFP, Request For Proposal, para servir como documento que inicia o processo de seleção do fornecedor.

A RFP é um convite aos fornecedores para, através de um processo de concorrência, apresentar uma proposta sobre uma determinada mercadoria ou serviço. Um processo de RFP dá estrutura para a tomada de decisão de contratar ou não (GO, NO GO). Esta estrutura permite identificar de maneira clara os riscos e benefícios de cada fornecedor, facilitando que se encontre a solução mais adequada para a empresa. A RFP tem ainda como irmãs a RFQ e RFI. Sendo RFQ sigla para Request for Quotation, usada para quando já se sabe as especificações do produto que deseja comprar. RFI, por sua vez, significa Request for Information e é usada quando deseja-se saber quais são os serviços que o fornecedor pode oferecer.

Entratanto, não é nada raro que se encontre RFPs mal sucedidas. Uma RFP mal elaborada pode levar a uma decisão equivocada e prejudicar a empresa. Levando em conta a previsão de aumento no número de contratações, devido a pressão por regulamentação advinda da crise econômica, Kit Burden do DLA Piper, resolveu dar 10 dicas preciosas para acertar a mão nas RFPs. Aqui vão elas:

#01. Não mande a RFP para muitos fornecedores

O processo de RFP toma tempo, quanto mais fornecedores envolvidos mais tempo será gasto. Por isso antes de enviar a RFP, procure encurtar a lista dos concorrentes. Um Balanced Score Card de seus fornecedores pode ser bem útil nessas horas. Filtrando seus fornecedores você fica apenas com aqueles que tem maior probabilidade de lhe fornecer uma solução adequada. Este fato lhe garante respostas mais adequadas e relevantes, o que as tornaram úteis na hora da revisão das propostas.

#02. Faça perguntas que permita ao fornecedor diferenciar-se

Ao invés de apenas confirmar aquilo que você sabe, ou suspeita, sobre seus fornecedores, abra espaço para Inovação Colaborativa. Perguntar o quão bom o fornecedor se percebe, não é tão útil como perguntar por seus cases similares que ocorreram no passado. Limitar demais a forma da solução pode afastar alguma inovação. Permita que o fornecedor faça parte da solução demonstrando o quanto de valor ele pode agregar a você.

#03. Tenha suas próprias referências e estudos de caso

Confiar apenas naquilo que o fornecedor fornecedor lhe mostrar pode não ser o melhor caminho. O fornecedor sempre mostrará seus casos de maior sucesso, além disso lhe dará como referência apenas aquelas que se encaixem na solução proposta por eles. Ter suas próprias referências e estudos de caso diretamente comparáveis ao seu, pode lhe garantir uma visão mais diversificada sobre a solução.

#04. Seja claro nos seus objetivos

Se você quer reduzir custos, melhorar os serviços, flexibilidade ou prazo, seja claro na sua RFP. Somente desta forma seus fornecedores poderão saber o que você realmente deseja e oferecer algo dentro de suas expectativas. Querer receber tudo isto ao mesmo tempo, pode tornar o processo lento demais, pois serão mais pontos para serem acordados entre as partes. Tenha foco em seu objetivo principal e ganhe tempo nesta fase.

#05. Tenha as regras do processo de contratação na RFP

Prazo e forma de apresentação das propostas, formas de contato, documentos que devem ser apresentados e como dar-se-á a contratação, são algumas das coisas que devem ser esclarecidas. Desta forma evita-se que ocorram eventos indesejáveis no curso da RFP. Como por exemplo, aquele fornecedor que se vale de algum contato antigo na empresa para pressionar a contratação. Ou ainda uma empresa com pendências legais que possa prejudicar o negócio.

#06. Inclua uma minuta de contrato ou o conjunto de principais regras que deverão ser discutidas

Além disso deve exigir-se que cada fornecedor de uma resposta detalhada para este ítem. Isto é importante pois irá documentar passo-a-passo a evolução das intenções das partes ao contratar. Dessa forma o contrato chega para a assinatura com maior maturidade. De qualquer forma tome cuidado com respostas no sentido de que algo é “acordado de princípio”, ou que uma disposição “terá de ser discutida no devido tempo”. Estas são frases feitas para esconder o fato de que há uma ressalva importante, ou então, uma rejeição da posição.

#07. Monte uma boa equipe para conduzir a RFP

Jurídico, Compras, Financeiro, RH, Áreas técnicas, reuna os envolvidos necessários e tenha certeza que eles tem tempo para dedicar-se a esta tarefa. Para grandes contratações é necessário saber que muitas vezes este trabalho tomará muito tempo e não será possível concilia-lo com o trabalho do dia-a-dia.

#08. Seja claro na forma que as respostas serão classificadas

Capacidade de operação, preço, expertise do fornecedor e muitos outros quesitos podem ser levados em conta na classificação das respostas. Seja claro e comunique isso aos fornecedores. Assim como na dica #04, há pouco benefício em manter isto como segredo, a partilha dessa informação significa que as propostas que você receberá incidirão sobre os temas de interesse primordial.

#09. Identifique todos os principais stakeholders internos

Garanta que eles sejam devidamente envolvidos no processo de RFP. Eles precisam estar a par de como as negociações estão indo e porque em determinados pontos estes agentes são considerados de importância. Eles devem ser comunicados em termos de negócios, ou técnicos, em oposição ao tradicional “juridiquês”.

#10. Antecipe perguntas que possivelmente seus fornecedores fariam

Dê informações com antecedência. Due diligence é um processo essencial e qualquer fornecedor que se preze vai querer ter uma compreensão clara do que está sendo solicitado a assumir. Se as informações fornecidas são insuficientes, pode-se esperar que os fornecedores lhe buscarão para discutir a inclusão de pressupostos contratuais, pendências relativas a áreas de incerteza. Antecipe as informações e ganhará tempo, além de possibilitar que o fornecedor lhe entenda melhor.

Conclusão

Por fim, lembrem-se, a RFP tem por objetivos:

  • Obter informações corretas para permitir robustez nas decisões empresariais
  • Decidir corretamente encaixando-se na estratégia para contratações da empresa
  • Alavancagem de poder de compra da companhia por obter um acordo favorável
  • Permitir uma gama mais ampla e criativa de soluções a serem consideradas

Seguindo as dicas apresentadas, você informa aos fornecedores o que sua empresa está procurando contratar e incentiva-os a fazer o seu melhor esforço. Além disso esta avaliação estruturada de seleção demonstra imparcialidade em melhor obediência aos principios da ética empresarial. Deve-se pesar o tempo que a RFP leva para ser conduzida com os benefícios que ela trás. Quando bem executadas o resultado é compensador.

Fonte:
ssonetwork.com
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Por que regulamentar é tão difícil?

Hoje abrimos espaço para este artigo que saiu no blog da Associação Brasileira de Recursos Humanos. O tema é urgente, além de recorrente aqui neste blog.

Terceirização precisa ser regulamentada

No último dia 14 de setembro, o Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho (IBRET) promoveu o Seminário sobre Terceirização do Trabalho, que aconteceu na Faculdade de Economia e Administração da USP. O encontro contou com a participação de representantes sindicais e empresariais; e propôs uma regulamentação da atividade no país, algo que já existe na Europa, Japão e até Estados Unidos.

Segundo o Coordenador de Desenvolvimento e Estudos do DIEESE, Ademir Figueiredo, é preciso regulamentar essa atividade e fazê-lo de modo a impedir que o prejuízo maior fique com os empregados, pois muitas empresas de terceirização são agências de emprego disfarçadas e, quando cobradas, simplesmente desaparecem. Veja no vídeo abaixo a entrevista com Figueiredo:

José Pastore, professor de Relações do Trabalho da Universidade de São Paulo, afirma que a discussão sobre se as empresas podem terceirizar apenas atividades meios se tornou falsa, pois com as novas tecnologias ficou difícil dizer o que é meio ou fim em um processo de produção. “Penso que as empresas poderiam ter liberdade para terceirizar o que entendessem ser necessário, mas, em contrapartida, dando total garantia de direitos aos empregados terceirizados”. Abaixo você confere o depoimento na íntegra de Pastore.

Para Carlos Pessoa, vice-presidente de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH-Nacional, um dos grandes problemas da terceirização nas empresas hoje se deve pelo fato dela estar nas mãos de áreas como a jurídica e de suprimentos. “A área de Recursos Humanos ficou marginalizada nesse processo. Nós temos que considerar que o terceiro é uma pessoa e que a contratação deste serviço deveria ser cuidada pela área de RH, que também deveria realizar uma auditoria na empresa contratante para saber se as obrigações trabalhistas estão sendo cumpridas.” Veja abaixo o primeiro trecho da entrevista com Pessoa:

Neste vídeo, Carlos Pessoa afirma que muitos processos de terceirização colocam empregados dentro de empresas em situações muito desiguais, com salários muito menores e praticamente sem benefícios, o que amplia os ganhos das empresas, mas eleva consideravelmente os riscos de demandas trabalhistas, que cresceram muito nos últimos anos. Assista o segundo trecho da entrevista com o vice-presidente de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH-Nacional:

De acordo com o presidente do IBRET, Hélio Zylberstajn, a terceirização no Brasil é muito praticada, mas pouco compreendida, daí a importância de um amplo debate que evidencie as mudanças e regulamentações necessárias:

Inovação no Brasil, um desafio para todos

Inovar no Brasil pode parecer difícil, porém é uma questão de liderança e cultura.

Inovar no Brasil pode parecer difícil, porém é uma questão de liderança e cultura.

Como já postei aqui outras vezes, estamos em frente a um novo desafio para as empresas, a busca pela inovação. No Brasil este desafio é maior ainda. Segundo a última pesquisa GEM – Global Entrepreneurship Monitor, divulgada em março deste ano pelo Sebrae, apenas 0,6% das micros e pequenas empresas são inovadoras. O Brasil aparece como um dos últimos colocados no ranking de 43 países.

O resultado pode ter parte de sua culpa na forma que as relações sociais se estabelecem em nosso país. Quem diz isso é Paulo Benetti, consultor da empresa Inteligência Nacional. Segundo Benetti o fato de as relações sociais no Brasil serem autocráticas, significa que espera-se que ideias e respostas venham apenas dos líderes, de cima para baixo, inibindo a criatividade dos liderados.

“A criatividade está em todos nós, mas precisa ser estimulada. É importante que as empresas percebam que a inovação, a criatividade, dependem não apenas das pessoas, mas também de um ambiente que as estimule, de processos que as viabilize e da sua materialização em um resultado, um produto, uma ação” – Paulo Benetti

Isso se deve ao fato da maioria esmagadora das empresas se estruturar de maneira hierarquizada, vertical. Em organizações assim as pessoas costumam comportar-se de acordo com as normas estabelecidas, evitando situações de conflito. Já em organizações matriciais ou projetizadas, horizontais, o ambiente de trabalho acaba por favorecer a inovação.

Além disso na maior parte das vezes, as inovações acabam surgindo através dos colaboradores da empresa e dos clientes. Fato este que corrobora com a idéia da Inovação Colaborativa.

“Há setores em que 90% das melhores ideias vêm de clientes, o que revela a importância de programas que deem aos clientes oportunidades de se expressar e interagir com você.” – Benetti

Como se pode notar, Inovação é questão de liderança e cultura. É necessário que as empresas proporcionem um ambiente favorável a fim de que a inovação surja naturalmente. Ultimamente muitos esforços vem sendo empreendidos na área de inovação. A idéia é ampliar o número de empresas inovadoras para que o Brasil possa ganhar mais competitividade no mercado.

“Com incentivo, as micro e pequenas empresas inovadoras podem saltar das atuais 50 mil para 80 mil em dois anos” – Luiz Carlos Barboza, diretor-técnico do Sebrae Nacional.

E na sua empresa, inovação é apenas um termo em voga ou é uma realidade?

Caso queira conhecer as 8 lições chaves para a Inovação Colaborativa, veja este outro post.

Fontes:
dci.com.br
infomoney.com.br
GEM 2008 Global Report

Truques que fornecedores de TI insistem em usar

HarryHoudini1899

Alguns truques são tão bem articulados que nem Houdini conseguiria escapar.

A CIO.com publicou no último dia 8 um interessante artigo sobre os Truques Sujos dos Fornecedores. O foco da matéria foi, obviamente, o setor de TI e as práticas lá empregadas. Entretanto é possível estabelecer diversas analogias nos mais variados setores.

A reportagem identifica 6 “truques sujos”. Estas piores práticas são empregadas por diversas empresas do setor. Saiba como identifica-las e como evitar tornar-se refém desse tipo de fornecedor.

Truque Sujo #01: Demo

Não se trata do Tinhoso personagem bíblico, mas é algo que também acaba envolvendo bastante mágica. Seja qual for a necessidade da sua empresa, o pacote de software do fornecedor pode supri-la. Para provar isso existem videos, versões demo de funcionamento impecáveis e milhares de slides do PowerPoint.

“Acho o setor de TI um tanto sujo. As pessoas que estão comprando softwares veem as exibições apenas uma ou duas vezes em sua carreira. Eles não sabem que a demo é manipulada. Eles pensam que o software funciona realmente desta forma.” – Natalie Petouhoff, analista senior da Forrester Research.

Segndo Petouhoff nem todos os vendedores fazem isso intencionalmente, mas, uma vez que são apertados pela competição de mercado, acabam recaindo nesta prática para não perder vendas.

Para ilustrar um caso desses foi dado o exemplo da batalha judicial entre a Waste Management e a gigante SAP. A primeira processou a segunda alegando que a demo foi manipulada para poder convencer seus executivos e pediu US $100 milhões em reparações por isto. Em maio do ano passado esta demo sumiu misteriosamente. Caso queira saber mais detalhes deste caso, você pode clicar aqui, aqui e aqui.

Truque Sujo #02: Oferta inicial em valor baixo e cobranças posteriores altas

Parceira inseparável da Demo a oferta inicial em valor baixo é aplicada de maneira deliberada pelas empresas. Os fornecedores de TI entram nas empresas passam suas demos maravilhosas, depois disso oferecem a solução mágica com preço baixo e tentador para o cliente. Tudo isso com a intenção de compensar esse valor baixo com taxas adicionais depois que o contrato for assinado.

Essas taxas adicionais vem de Ordens de Mudanças e a culpa ainda pode ser colocada no cliente por estar alterando o escopo original do projeto.

“É como se vendessem um carro e o cliente dissesse: ‘Meu carro não tem rodas!’ e o vendedor responde ‘Rodas? Isso vai ter um custo extra’. Os vendedores não veem que isso gera um embaraço para as pessoas dentro do cliente que vão ter que buscar mais aprovações de seus chefes para estes remendos no projeto.” – Petouhoff

Truque Sujo #03: Prendendo os Clientes

Uma vez que o fornecedor tem você como cliente ele fará tudo que está no alcance dele para rete-lo. Ainda que isso ultrapasse as barreiras da ética.

“O fornecedor que trava seus clientes é um ponto crítico para as empresas que compram softwares corporativos. Isso porque um outro termo para ‘travar’ é ‘agarrar o cliente pelas bolas e apertar’.” – Michael Krigsman, CEO da Asuret.

Segundo Krigsman a estratégia tipicamente usada para garantir a “lealdade” dos clientes é tornar altíssimo o custo para uma possível transição de fornecedor.

Já para um VP de Marketing que não quis se identificar a estratégia para prender o cliente pode ser diferente. Ele cita como exemplo técnicas comuns para prestadores de serviços de rede.

No começo, o  fornecedor de rede traz seus próprios engenheiros de sistema para implementar o software. Muitas organizações se tornam dependentes dos engenheiros de sistema do fornecedor para manter a rede funcionando.

O nível dois do truque ocorre quando os engenheiros começam a utilizar serviços proprietários, às vezes sem o conhecimento ou consentimento do cliente. Isso faz com que mudar para um novo fornecedor torne-se quase impossível sem ter de começar do zero novamente.

Ainda assim, essas são apenas táticas de jogo duro, diz ele. Os truques sujos entram em quando o pessoal do fornecedor de rede está tão arraigado dentro de uma organização que se tornam funcionários de fato, com crachás e acesso completo. Ele conta que sabe de vários casos em que representantes de um fornecedor conhecido assistiram apresentações de vendas apresentadas pelos concorrentes, em seguida, tentaram sabotar os acordos posteriores.

Truque Sujo #04: O erro na fatura

Algumas vezes não é o que você compra que gera custos para sua empresa, é o que você não comprou mas está sendo cobrado. Somente no setor de telecomunicações de 7 até 12% de todas as cobranças, são erros, segundo estudo do grupo Aberdeen. Existem até mesmo empresas especializadas em descobrir estes erros e cobrar o dinheiro de volta.

Um diretor de operações de TI conta que sua empresa recebia faturas de $ 30.000 a 50.000 dólares por mês por uma rede de dados com um provedor líder do setor telecomunicações. O único problema é que a empresa dele não tinha nenhuma rede de dados com este fornecedor.

Depois de muitos problemas, a falta de integridade no processo de faturamento deste fornecedor, levou a empresa a encerrar até mesmo o contrato de serviços de voz que tinha com ele.

“O maior problema com os erros de faturamento, reais ou intencionais, é que menos de 1 em cada 10 clientes percebe o erro. A estatística costumeiramente ouvida no setor de pagamentos é que se você cobrar errado 100 pessoas apenas oito delas vão te ligar e reclamar.” – Steve Roderick, CEO da GoToBilling.

Truque Sujo #05: O Upgrade forçado

Um dia você é um cliente vip e no outro é uma vaca cheia de dinheiro pronta para ser ordenhada. Uma das formas de ordenhar este dinheiro é força-lo a atualizar seu software mesmo que ele seja relativamente novo.

A algumas semanas atrás, Dave Jackson, diretor executivo da Awake in America, uma organização sem fins lucrativos dedicada a ajudar pessoas com distúrbios do sono, comprou uma licença de software gerenciador de informações pessoais (Personal Information Manager – PIM).

“Nós tínhamos falado com o vendedor várias vezes, assim como outros dentro da empresa, e tinha tomado o produto para um teste-drive de 45 dias. Conversamos com a empresa sobre as atualizações e modernizações e tudo parecia ótimo. Então puxei o cartão de crédito corporativo, chamei o vendedor, fiz mais algumas perguntas e em seguida comprei.”

Três semanas depois ele recebeu um email informando sobre uma nova atualização a qual ele poderia comprar com algum desconto. Insatisfeito por não ter sido avisado no momento da compra que esta atualização estava para sair, ele foi tomar satisfações sobre o ocorrido.

“Uma pessoa na alta administração diz que foi a política da empresa não divulgar tais informações, pois poderia ‘dar uma vantagem na competição’. Eu lhes disse que ia ficar com a versão “antiquada” até que ela entrasse em decomposição e morresse.”

Um outro executivo, trabalhando junto com a VMware conta que a empresa acabou com a licença Enterprise que eles usavam, forcando-os ou a migrar para Enterprise Plus (U$ 26.000,00 a mais por ano) ou rebaixar para “Advanced” que não tem as funções de que ele precisa.

Truque Sujo #06: O Cliente Ingênuo

O último truque na manga dos vendedores espertinhos não é exatamente um truque de vendas. Ele acontece quando os clientes confiam demais em integradores de sistemas e fornecedores e deixam de fazer a sua própria parte.

A maioria dos projetos de TI são vítimas do que Michael Krigsman chama de “Triângulo do Diabo”: o cliente, o integrador de sistemas e o fornecedor, os quais têm a sua própria agenda, muitas vezes conflitantes.

“Os clientes têm a sua própria esquizofrenia interna. Você se senta em uma reunião com eles e eles apresentam uma frente unificada. Querem A, B, C e D. Isso tudo soa bem. Quando você começa explorar e falar com eles, você percebe que o departamento de TI não tem uma idéia do que vendas ou contabilidade precisa. Por sua vez os departamentos de vendas e de contabilidade não fazem a mínima idéia sobre a tecnologia. Mas ainda assim eles apresentam esta RFP costurada para o integrador de sistemas e fornecedor do software e todos eles querem assinar o contrato de qualquer maneira. “ – Krigsman

Com mais fornecedores fornecendo Software como Serviço (Software as a Service – SaaS), alguns desses problemas deverão desaparecer, diz Petouhoff. Os clientes vão poder ver o software como realmente funciona e desistir de ajustes ruins sem que isso sacrifique todo seu investimento.

Para ler a matéria completa, em inglês no site da CIO.com, clique aqui.

Terceirização Vs Precarização

Newton Saratt, consultor e autor de livros sobre terceirização, participou de painel no CONARH 2009 debatendo o tema “Terceirização versus precarização: o ponto de equilíbrio”. Segundo ele, os primeiros movimentos rumo à terceirização se deviam à tentativa de reduzir custos, mas o fenômeno da terceirização está se tornando mais complexo, pois começa a envolver a transferência integral de processos para parceiros externos. Veja no vídeo abaixo um trecho da apresentação de Saratt.

via Terceirização plena «.

Colaborar para Inovar

Colaboração é a chave para inovação e melhorias nos negócios.

Colaboração é a chave para inovação e melhorias nos negócios.

Tim Cummins, CEO da IACCM, publicou em seu blog Commitment Matters sobre o whitepaper lançado este mês pela Logica em parceria com a London School of Economics. “Step Change – Collaborating to Innovate” é o título do estudo conduzido pelo professor Leslie Willcocks e Andrew S. Craig. Os pesquisadores chegaram a uma conclusão que se mostra alinhada com as últimas pesquisas da IACCM. Eles concluiram que há um chamado para a mudança na forma de conduzir os contratos de outsourcing (terceirização).

Os pesquisadores identificaram uma curva de aprendizagem que passa pelas seguintes fases:

  1. Administração dos Contratos ou negatividade
  2. Gerenciamento dos Contratos
  3. Gerenciamento de Fornecedores
  4. Inovação Colaborativa

Para eles “novas formas de contratação são necessárias para a inovação colaborativa ter sucesso”. Em seu ponto de vista os contratos de parceiria de risco e risco-recompensa são as maneiras que mais incentivam a inovação, colaboração e de alto desempenho para atingir objetivos comuns.

Por fim os pesquisadores vêem oito lições chave para estes novos tempos:

  • A inovação é ainda mais importante em períodos de recessão econômica. Inovações podem ser mudanças nas operações de TI, processos de negócios, em produtos e serviços oferecidos, no modelo de negócios ou  como a empresa compete. Sobreviver e prosperar durante uma recessão exige uma mudança sustentável. Um foco na redução de custos por si só, ou mesmo a relação custo-benefício, resolve problemas de curto prazo, em detrimento da construção do futuro negócio.
  • Inovação com o uso de mercado de serviços externos é cada vez mais uma realidade. Clientes e fornecedores estão amadurecendo a sua capacidade de ir além das tradicionais relações de terceirização e construir o regime de colaboração necessárias para inovar. Isto significa que os clientes podem mudar de administração de contratos e gestão de outsourcing para uma nova fase de liderança colaborativa. Eles também podem desenvolver uma nova agenda de performance.
  • Inovação em grande escala, com impacto a longo prazo, requer a colaboração profunda com clientes e entre os seus fornecedores externos. Sem isso, inovação e o conseqüente desempenho elevado, não pode ser atingido.
  • Colaborar para inovar exige uma mudança radical nos objetivos perseguidos, nas relações com os fornecedores, e como o trabalho e a inovação é conduzida. Nosso estudo sugere distintas práticas profissionais eficazes para o sucesso. Estas práticas podem ser classificadas em um framework de quatro pontas: Liderança, Contratação, Organização e Comportamento.
  • A Liderança dá a forma no contexto de colaboração, inovação e alto desempenho e é um recurso-chave. A liderança lida com os desafios de adaptação e deve ser exercida em todos os níveis, em cada uma das partes colaboradoras. Liderança também muda a abordagem ao risco a fim de compartilhar, baixar o risco e gerir oportunidades.
  • Novas formas de contratação são necessárias para a inovação colaborativa ter sucesso. Contratos de parceria de risco e risco-recompensa são maneiras que incentivam a inovação, colaboração e o alto desempenho para atingir objetivos comuns.
  • Organizar-se para a inovação requer estruturas de governança co-gerenciadas e um maior trabalho em equipe multi-funcional entre as organizações e pessoas responsáveis pela obtenção de resultados. O trabalho em equipe exige agora a capacidade de colaborar na organização de um cliente, entre clientes e fornecedores e entre fornecedores em ambientes multi-fornecedores.
  • Liderança, contratação e organização são fatores que incentivam o Comportamento e permitem a empresa coletar uma entrega de desempenho de negócios superior. Inovação Colaborativa é mais efetiva quando ela gera profissionais de alto nível, é baseda competências e motivação de confiança entre as partes. A alta confiança é um componente chave e dá forma a colaboração, abertura, aprendizagem, adaptação, flexibilidade e  comportamentos interdependentes necessários.

E a sua empresa, está pronta para esse novo paradigma ou deixará ser passada para trás?

Contrato Incompleto = Problemas

Uma das grandes tarefas das pessoas envolvidas em contratos é o gerenciamento de riscos. Por sua vez um aspecto relevante dentro dos riscos é como tratar das incertezas. Muitas vezes buscamos mitigar a maioria dos riscos, no momento de formação do contrato, antecipando-se aos mesmos. Entretanto, hoje, com os avanços diários da tecnologia, mercado e outros fatores, esta tarefa mostra-se cada vez mais difícil.

Quantos de nós já não passamos pela situação onde um contrato inacabado é assinado, apenas para não perder o timing do negócio, e permanece imcompleto para sempre?

Hoje os contratos estão mais complexos do que nunca, cabe a eles permitir responder as diferenças de conhecimento e falta de previsibilidade do futuro pelas partes. Em áreas como outsourcing (terceirização de serviços) o desafio se mostra ainda maior. É de comum senso entre os academicos contratualistas de hoje que os acordos nunca serão completos, devendo ser revisados e alterados sempre que necessário.

Partindo destas premissas a IACCM (International Association for Contract & Commercial Management), conduziu uma pesquisa para avaliar como as empresas estão lidando com este desafio.

71% das empresas sondadas disseram que fecham ao menos 3 grandes contratos de outsourcing ou outros contratos complexos de longa duração durante um ano. Entretanto, apenas 43% das empresas disseram conseguir negociar de maneira completa e detalhada o contrato, antes de iniciar os serviços.

SLA (Service Level Agreement), responsabilidades e escopo foram os itens que as empresas relataram maior dificuldade de se entrar em acordo. Além disso as empresas reportam que, dos contratos assinados incompletos: 16% permanecem incompletos, 41% tentam completa-los sem prioridade e apenas 43% se dedica a completa-los com aditamentos formais na maior parte do tempo.

Como principal causa para continuar com contratos incompletos os seguintes fatores foram levantados: 32% falta de habilidade para as partes entrarem em acordo, 22% falta de informações para tomada de decisão, 19% decisão das partes por esperar a renovação contratual, 19% decisão de acertar os termos pendentes através de processos de governança e 8% deram outras justificativas.

Outro dado interessante é que 76% das empresas relataram que os contratos incompletos trouxeram problemas significativos. Inclusive, 6% deles precisaram recorrer a justiça ou arbitragem para resolver estes problemas. Além disso 50% das empresa revelaram ser o Departamento Jurídico o mais preocupado com os contratos incompletos.

Pesquisas como esta mostram, mais uma vez, a necessidade de se acompanhar todo ciclo de vida dos contratos (CLM). Apenas dessa forma é possível diminuir os problemas que podem originar-se dos acordos. Definir processos, planos e políticas para um gerenciamento contratual eficaz é essencial nesta abordagem. Cuidando de todo o ciclo de vida do contrato pode se evitar que ele seja assinado quando estiver incompleto ou ainda que ele não permaneça desta forma durante muito tempo. Uma solução simples, porém eficaz, é definir no próprio contrato incompleto prazos para quando os tópicos deverão ser fechados.

Fonte:
www.iaccm.com